De dentro

Existe em mim uma força
de dentro pra fora
Uma dor que vem do fundo e demora
Uma angústia que não vai embora
E toma todo o meu ser

Existe em mim uma vontade
De não precisar mais viver esse dia
E deitar até os olhos fecharem
Involuntariamente

E existe em mim um desejo de paz
Que me encoraja a viver um dia a mais
Sem sentir que cada hora do dia
Que me faz sofrer
Me ensina um pouco mais da vida

Existe em mim uma guerra constante
Entre não saber e não querer
Pois existe em mim a ânsia de ter
Tudo o que eu não tenho
Só por ter
E preencher o vazio que hoje dá lugar para a dor que vem do fundo

Existe mim uma aversão de ser quem eu sou
E um querer em ser outra pessoa
Para preencher um vazio que não é meu
Que vem de dentro de outro alguém
Que não sou mais eu

SOBRE EGOÍSMO, AUTO ESTIMA E INDIVIDUALISMO

SOBRE EGOÍSMO, AUTO ESTIMA E INDIVIDUALISMO

Por que eu sou egoísta?

A verdade é que atribuíram a palavra egoísmo um significado exagerado, pejorativo e não recomendável. Quando egoísmo nada mais é do que a preocupação com os nossos próprios interesses. Não existe nada de errado em priorizar suas conquistas individuais.

Eu me tornei uma pessoa melhor sendo egoísta. Passei a trabalhar melhor, a estudar mais e tirar notas melhores, sendo egoísta. Pois antes de conhecer a virtude do egoísmo, eu não gostava de nada do que eu fazia, escrevia ou falava. Tudo estava ruim.

Hoje, qualquer coisa que eu faço, eu reconheço e me parabenizo antes de qualquer pessoa. Antes de qualquer um eu vou dizer: “que lindo esse conto que eu escrevi”; “que bem feito esse trabalho que eu fiz”; “como meu cabelo ficou lindo!”.

Geralmente eu ouço: Nossa, mas você não é nem um pouco modesta!

Bom, se eu não achasse bonito as coisas que eu faço, eu não faria.

O altruísmo artificial é pior do que o “egoísmo” natural. Afinal, quais as verdadeiras razões por traz daquele ato de “bondade”? Porque muitas vezes a sensação de bem estar para alguns é maior do que o bem feito.

O altruísmo faz com que ajudar os outros seja o príncipio do “ser do bem”, mesmo que em detrimento do sacrifício próprio. Assim, as pessoas pernacem em relacionamentos nos quais não querem estar, só porque “posso acabar magoando a outra pessoa.” Ou porque o outro é “muito bom comigo” e eu TENHO que retribuir. Ele faz com que a satisfação dos supostos interesses do outro seja mais importante que a satisfação do seu próprio interesse.

Você DEVE se preocupar com os próprios interesses, ser o beneficiário dos seus próprios atos e viver com esse objetivo. Mas você não PRECISA agir assim e deixar de zelar por aqueles que ama.

“Amar é dar valor. Somente um homem racionalmente egoísta, que valoriza a si mesmo, é capaz de valorizar alguém.”

“O amor e a amizade são valores profundamente pessoais e egoístas: o amor é uma expressão e asserção da autoestima, uma resposta aos valores pessoais em outra pessoa. Ganha-se uma felicidade profundamente pessoal, egoísta, pela mera existência da pessoa que se ama. É a própria felicidade pessoal e egoísta que se busca, ganha e colhe do amor. Um amor “abnegado”, “desinteressado” é uma contradição, em termos: significa que se é indiferente ao que se valoriza. A preocupação pelo bem-estar daqueles que se ama é uma parte racional dos interesses egoístas de alguém.” Ayn Rand.

O egoísta age sempre de acordo com a hierarquia das suas próprias vontades, e só assim pode ter decisões racionais.
Sendo assim, só um verdadeiro egoísta consegue praticar a auto-estima. E por que a auto-estima é valorizada e o egoísmo não? Se ela nada mais é do que a valorização que a pessoa tem de si própria?

Isso acontece porque vivemos em uma sociedade com mentalidade coletivista e não há nada pior do que a super valorização do coletivo. A lógica coletivista diz que devemos abrir mão da nossa individualidade em função de um “BEM COMUM”, “DA SOCIEDADE”, “INTERESSE PUBLICO”.

Pensem: O racismo é a forma mais baixa e mais cruelmente primitiva de coletivismo. O machismo (a idéia de que todas as mulheres são iguais — fracas, interesseiras, inferiores, objetos) é coletivista. O fascismo é coletivista. Nesses três casos não existe análise do indivíduo, só desprezo por um determinado grupo. O coletivismo ignora todas as características do individuo para encaixá-lo em um grupo e rotulá-los do que mais for conveniente.

O coletivismo sustenta que o indivíduo não tem direitos e opiniões próprias, que sua vida e trabalho pertencem ao grupo (à “sociedade”, ao Estado, à nação). Que o homem não possui significância fora de seu grupo. Isso significa abrir mão daquilo que te faz ser VOCÊ para que um grupo de pessoas passem a falar em seu nome e impor suas vontades.

O egoísta sempre se responsabiliza pelos seus feitos. Sejam eles bons ou ruins. Se ele fracassar, ele vai se responsabilizar e assumir que a culpa é inteiramente dele. Já o coletivista vai SEMPRE responsabilizar o meio em que vive e aqueles próximos a ele pelos seus fracassos.

O egoísta acredita que o homem deve viver para o seu próprio proveito. Não se sacrificando pelos outros, nem sacrificando os outros para si. “Viver para o seu próprio proveito significa que o propósito moral mais alto do ser humano é a realização da sua própria felicidade”.

Por isso eu sou egoísta.

Contramão

Sinto como se cada passo e cada atitude,
e cada gesto contrário, e cada palavra dita por mim,
encontra-se na contramão de um caminho estreito.

E toda angústia em meu peito transborda,
e toda dúvida em meu corpo me cala,
e toda dor, canaliza e corrói,
e todo medo destrói.

E minha mente desgraça a alma,
como se – destinada a falhar,
me diz,
que não há nada que eu faça
eu nunca serei,
e nunca jamais serei,
e de modo algum
em momento nenhum serei
feliz

A Metade de Mim

 

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A minha metade não é minha
É outra metade além da minha
A minha metade é a outra metade de alguém

Uma das duas partes iguais de um todo
Que sou eu
E cada uma das duas partes iguais, em que se divide um todo
Que é meu
Eu desejo ser por inteiro
Totalmente, integralmente
Eu

E ainda que não se viva por inteiro
Mesmo que sua metade seja inteira
É para se completar que se vive

E nada me completa –
Nem mesmo a extensão de mim
Do meu semi ser
Nem a metade vazia
Completamente só
Do alvorecer –
Completará-me um dia
Mais do que eu

O Primeiro amor nunca se esquece

Creio que estou vivendo meus últimos dias. Ousaria em dizer que tenho certeza que estou nos meus últimos dias. Não seria possível sobreviver a tamanha dor, ainda mais depois de lutar contra os sintomas por tanto tempo. Meu corpo não irá suportar. Estou doente, fraco, fastiado. Só de pensar nela já me dá uma gastura. E ninguém sabe me dizer exatamente onde está o problema. Ora pois, o problema está nela. Contudo, a dor é o de menos, aprendi a me acostumar. O problema é se eu sobreviver a ela, ou melhor, a falta dela. Não terei outra escolha. Ousaram diminuir minha dor, dizer que não estou doente coisa alguma. Eu então lhe pergunto, se essa dor constante, essa malemolência, essa aflição e falta de apetite, se não são sintomas de algo gravíssimo. Eu devo falecendo gradativamente.
“São sintomas de amor, mãe.”, eu disse.
“Pois deixe de ser besta moleque, que ninguém morre de amor aos 10 anos!”

Cena II

Cena II

i
estaçao de trem
malas cheias e mentes vazias
mil corações partidos
conectados
idas e vindas singulares
compartilhadas na rede
social-media
fazendo uma média entre
destinos distintos
em meio-dia

ii
o desejo é extemporâneo
e extra terrestre
o maquinista ansiava
a jovem esperava
o rapaz partia
a dor invadia
e uma mensagem de texto dizia
– fica

Cena

encaro em teus olhos
vermelhos, embreagados, desabrigados
um oceano de possibilidades
um amontoado de tristeza
na luz dos teus olhos
profundamente perdidos nos meus
distantes porém tão próximos
meu rosto do teu
observamos uma quietude absurda –
mente na escuridão absoluta
escravizamos os seres
 sufocamos os dizeres
muda