Colecionador de Conchas

Havia um colecionador de conchas. Um triste colecionador. Todos os dias lá estava ele na beira do mar. Passos tímidos que deixavam fortes pegadas ao caminhar. Apesar da dificuldade ao abaixar-se para catar as conchas, ele estava lá. Nos dias álgidos como as geleiras, nos dias tórridos como o fogo, estava lá. O rosto mostrava cansaço, as pernas, disposição.
O paradeiro das conchas era um mistério. Ninguém sabia para onde ele ia quando a noite tratava de aparecer. E no dia seguinte lá estava ele, antes mesmo do sol nascer.

Em sua última caminhada, o homem carregava um baú e seguia guiando-se pelo luar. A noite estava fria e a maré agitada. O baú pesava de sonhos, talvez. Sonhos em forma de conchas.
Enquanto seguia em direção a imensidão azul, cada vez mais fundo, a cada passo era engolido um pouco mais, em um abraço aconchegante de um oceano de sentimentos.
O baú não pesava mais.

Afogou-se.
O colecionador e as conchas.

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