Frasco

Antes de mais nada peço perdão
Pelo tom de desespero presente nos versos seguintes
Pela poesia de gaveta que venho recitar
Pelo peso das palavras que tento igualar
Com o peso nas costas
As custas de histórias reais
Vividas, sofridas, sentidas
E pela recompensa contida nesse frasco
Coberto de terra
Esses pequenos buracos para respirar
Não tão maiores que aqueles feitos pelas balas de uma arma carregada –
De mágoa
Em meio à uma guerra civil, guerra fria, insensível e desumana
Guerra moderna onde se fere com as palavras e a morte é lenta e indolor
Em meio à uma realidade ilusória e de um suposto avanço
Que só regride, atrasa, retrocede e outros sinônimos a mais
É cada um por si, e todos por nem um
É cada corpo andante que abriga o que a mente sustenta
O que a mente condena
O que o corpo ostenta e fere
Aquilo que falta no coração
E eu escrevo erroneamente
Traduzindo as estrelinhas de um mundo condenado
Um mundo que agride, controla e manipula
O que fez de nós, meros mortais
Seres tão animais,
Seres irracionais?
Diante de um cenário vergonhoso e impiedoso
Estamos todos dentro de um frasco
Usando os mesmos buracos para respirar
Exceto aqueles que ainda procuram seu exílio
Nas tragédias que encenamos a cada dia

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