O Primeiro amor nunca se esquece

Creio que estou vivendo meus últimos dias. Ousaria em dizer que tenho certeza que estou nos meus últimos dias. Não seria possível sobreviver a tamanha dor, ainda mais depois de lutar contra os sintomas por tanto tempo. Meu corpo não irá suportar. Estou doente, fraco, fastiado. Só de pensar nela já me dá uma gastura. E ninguém sabe me dizer exatamente onde está o problema. Ora pois, o problema está nela. Contudo, a dor é o de menos, aprendi a me acostumar. O problema é se eu sobreviver a ela, ou melhor, a falta dela. Não terei outra escolha. Ousaram diminuir minha dor, dizer que não estou doente coisa alguma. Eu então lhe pergunto, se essa dor constante, essa malemolência, essa aflição e falta de apetite, se não são sintomas de algo gravíssimo. Eu devo estar falecendo gradativamente.
“São sintomas de amor, mãe.”, eu disse.
“Pois deixe de ser besta moleque, que ninguém morre de amor aos 10 anos!”

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Cena II

i
estaçao de trem
malas cheias e mentes vazias
mil corações partidos
conectados
idas e vindas singulares
compartilhadas na rede
social-media
fazendo uma média entre
destinos distintos
em meio-dia

ii
o desejo é extemporâneo
e extra terrestre
o maquinista ansiava
a jovem esperava
o rapaz partia
a dor invadia
e uma mensagem de texto dizia
– fica

Cena

encaro em teus olhos
vermelhos, embreagados, desabrigados
um oceano de possibilidades
um amontoado de tristeza
na luz dos teus olhos
profundamente perdidos nos meus
distantes porém tão próximos
meu rosto do teu
observamos uma quietude absurda –
mente na escuridão absoluta
escravizamos os seres
 sufocamos os dizeres
muda